Cruzando fronteiras: a trajetória de uma estudante internacional na Informática Biomédica

Entrevista com Staline Sahara Dianana, Graduanda do 4º semestre do Curso de Informática Biomédica

 

Como você conheceu o Curso de Informática Biomédica?

Eu conheci o Curso quando estava fazendo a inscrição para o Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), uma iniciativa do Governo Brasileiro que oferece a estudantes de países em desenvolvimento a oportunidade de fazer faculdade gratuitamente em universidades brasileiras. O programa é voltado para jovens estrangeiros que tenham concluído o ensino médio e desejam cursar a graduação no Brasil. Este Programa exige que a gente escolha duas opções de curso. Na época, eu não sabia exatamente o que escolher, porque sempre gostei tanto da área de Medicina quanto da Matemática. Como ainda não falava português fluentemente, tive dificuldades para entender tudo o que estava escrito nas descrições dos cursos. Foi então que o meu pai viu essa opção e me sugeriu selecioná-la como uma das escolhas. Achei interessante porque unia as áreas que eu mais gostava, a Medicina, a Matemática e também a Informática. Assim, escolhi a Informática Biomédica como uma das opções.

Qual foi a sua motivação para a escolha do Curso?

Por causa do Programa, tive que escolher o Curso mesmo sem conhecê-lo muito bem. Mas uma das vantagens do PEC-G é que a gente pode cursar um ano da graduação e, caso não goste, tem a possibilidade de mudar. No meu caso, durante a disciplina de Informática Biomédica na Atenção à Saúde I, participei de visitas tanto no Hospital das Clínicas quanto em uma Unidade Básica de Saúde em Ribeirão Preto, e essas experiências me ajudaram muito a entender melhor o que faz um informata biomédico e onde ele pode atuar. Isso, somado às minhas pesquisas, fez com que eu decidisse continuar no Curso. Acabei me motivando, especialmente. pela área de Bioinformática, que me despertou muito interesse.

Qual foi a sua primeira impressão ao chegar na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP)?

Quando cheguei, achei muito interessante o fato de termos aulas com alunos de outros cursos, como Nutrição e Terapia Ocupacional. O ambiente da Faculdade me pareceu bem calmo e agradável. Uma coisa que achei diferente foi a estrutura descentralizada, ou seja, ter aulas em um lugar, laboratórios em outro e algumas salas em locais separados. Mesmo assim, gostei bastante do fato de o Curso ter “salas próprias”, com televisores e computadores que ajudam muito no nosso aprendizado e colaboram bastante com as aulas voltadas para a Informática Biomédica.

Que tipo de conteúdo ou atividade mais te chamou a atenção até agora?

Entre as disciplinas, me interessei bastante pelos conteúdos voltados à Informática e Computação, como na matéria de Banco de Dados I. Foi uma forma de entender melhor áreas de atuação que eu nem sabia que existiam para o nosso Curso. Também me chamou muita atenção a parte de Bioinformática, que é uma área que gosto muito. Percebi que o conhecimento interdisciplinar entre Biologia e Informática é extremamente importante e o Curso prepara a gente para isso. Muitas vezes, essas atividades são mais naturais para nós do que para alunos de outras graduações, porque temos essa base integrada, o que é uma grande vantagem.

O que você gostaria de saber mais sobre a área?

Acredito que seria interessante ter disciplinas semestrais ou até bimestrais que se aprofundem em cada uma das quatro grandes áreas do curso, desde o início da graduação. Isso ajudaria muito os alunos a entenderem logo de cara quais são essas áreas e onde podem atuar, em vez de termos que esperar até o terceiro ano para escolher disciplinas optativas. Atividades práticas e conteúdos mais aprofundados nos ajudariam a tomar decisões com mais clareza sobre quais áreas seguir. Sinto que muitos alunos ficam perdidos na hora de montar a grade curricular justamente porque ainda não sabem qual área mais combina com eles. Além disso, acho que talvez faltam disciplinas obrigatórias mais voltadas para a Saúde e a Biologia, e eu gostaria muito de aprender mais sobre esses assuntos.

 

Entrevista realizada por: Fernando Henrique Demarqui Takaki, Graduando em Informática Biomédica na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo.

Supervisão: Prof. Dr. Maria Cristiane Barbosa Galvão, Docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo.